Cicatriz de acne/espinha – como tratar?

Primeira coisa que tem que se saber é que não tem como generalizar cicatriz de acne. Lembra que cada uma se formou de um jeito, durou determinado tempo, foi feito ou não tratamento, a, a estação do ano era diferente, então, elas nunca são iguais, e os tratamentos mudam. Quanto mais extensas e profundas, mais difícil é o tratamento. Lembrar que todos tratamentos levam a estímulo de colágeno, então a resposta não é imediata.

Não adianta tratar, se ainda está tendo acne/espinhas ainda. Primeiro acabar com a causa, para depois acabar com a consequência. Se foi feita isotretinoína oral, o ideal é esperar 6 meses para tratamentos mais pesados.

A idéia básica é “destruir para fazer nova pele”, o resultado vem com o tempo, e nunca será 100%, e geralmente uma sessão não será suficiente. Por isso, apesar de muitos tratamentos, previr é a melhor opção!

https://www.youtube.com/watch?v=mdoLX46oduc

https://www.youtube.com/watch?v=mdoLX46oduc

Quais opções de tratamento:

  • Peeling

Peeling Superficial: bom preço, pouca eficácia para cicatriz maiores. Melhora textura da pele, e ajuda nas manchas residuais, se tiver. Fica descamando uns 3 dias, mas vida normal.

Pelling Médio: bom preço, boa resposta. Pessoas muito morenas tem risco de ficar com área mais clara local (hipocromia), dói e fica com casca bem grossa, escura, uma semana na área. Então o pós é demoradinho e o risco de manchas é maior.

Profundo: só se usa raramente, pela dor e recuperação demorada. Mas se usa focalmente, na técnica de CROSS, só em algumas cicatrizes que chamamos de ice-picks (furinhos pequenos, mas profundos)

2)Microagulhamento (com drug delivery)

Boa opção também, usado também para rejuvenescimento e melasma. Para cicatrizes têm que pegar pesado, então é necessário anestesia injetável na área a ser tratada. O anestésico tópico não é suficiente nesse tipo de tratamento. Custo razoável, pós operatório razoável. Três dias quase recuperação completa. Costuma ser feito com um roller com agulhas, estéril e que não pode ser reaproveitado, as agulhas variam de 1 a 3mm (vide imagem), que estimulam colágeno, diminuem as traves fibróticas, e fazem mini-canais onde se colocam substâncias para otimizar o tratamento, já que topicamente não atingiriam camadas mais profundas.

Dermatol 2013;5(2):110¬4. Emerson

Dermatol 2013;5(2):110¬4. Emerson

 

3)Laser – vários tipos, mais utilizados:

Laser Erbium ( Pixel- Harmony®):  A energia do laser fracionado faz micro-furinhos na pele e estimulam intensamente a formação de colágeno e fibras elásticas. A pele intacta serve como um reservatório para recuperação acelerada da área tratada. Incomoda o calor local, mas suportável, em áreas com maiores cicatrizes fazemos bem forte, gerando maior desconforto. Ficam casquinhas nos dias seguintes, mas recuperação boa. Evitar em pessoas muito morenas uma potência maior.

almalaser

Como age o laser – foto de alma laser-PIXEL

 

Laser Erbium/NdYag (Fotona®): Parecido com o acima, mas  é mais seguro e tem a opção de uma recuperação bem mais rápida, não atrapalhando quase nada o dia a dia da pessoa.

  Laser CO2: ele também é um laser ablativo fracionado como o Pixel®, mas ele vai mais “profundo”, então com melhores respostas, mas mais alto preço.

pos imediato de um laser ablativo fracionado (foto de almalaser)

pós imediato de um laser ablativo fracionado
(foto de almalaser)

 

4) Carboxiterapia: não vejo bons resultados, não uso. Poucos trabalhos bons sobre isso. Mas tem gente que refere que ajudou.

5) Subcision + Preenchimento: usado muitas vezes associado. Soltamos as traves fibróticas com a agulha e colocamos ácido hialurônico para repor o volume perdido local.

6) Cirurgia : diversas opções em casos selecionados

 

Referências:

Emerson Vasconcelos de Andrade Lima1, Mariana de Andrade Lima1, Daniela Takano1, Microneedling experimental study and classification of the resulting injury Surg Cosmet Dermatol 2013;5(2):110­4.
 Oremovic L, Bolanca Z, Situm M. Chemical peelings–when and why? Acta Clin Croat. 2010;49(4):545-8
2 . Khunger N. Standard guidelines of care for chemical peels. Indian J Dermatol Venereol Leprol. 2008; 74(Suppl):S5-12
Zhang AY, Obagi S. Diagnosis and management of skin resurfacing – related complications. Oral Maxillofac Surg Clin North Am. 2009;21(1):1-12.
 Rokhsar CK, Lee SS, Fitzpatrick RE. Resurfacing da pele com laser. Zachary CB. Adendo sobre laser Er:YAG. In: Goldberg DJ, editor. Laser e luz. Rio de Janeiro: Elsevier; 2006. p. 1-29.
 Metelitsa AI, Alster TS. Fractionated laser skin resurfacing treatment complications: a review.Dermatol Surg. 2010;36(3):1-8.

Autor: Dra. Violeta Tortelly

Formação Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)----------------- Residência em Dermatologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)-------------------------------------------- Mestranda na Universidade do Estado do Rio de Janeiro(UERJ)----------------------------- Professora no ambulatório de Alopecias na pós graduação de dermatologia do Hospital Naval Marcilio Dias----------------------------- Membro da equipe de parecer de dermatologia nos Hospitais Niterói D`or, Hospital Icaraí e Complexo Hospitalar de Niterói----------------------- Preceptora/professora de Dermatologia no ambulatório do Hospital Universitário Pedro Ernesto de 2014-2016----------------------- Fellow em Barcelona no Hospital Sant Creu e Sant Pau- 2013--------------------------------- Membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Dermatologia Fluminense(SBD FL) gestão 2015-2016------------------------------------------ Título de especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e AMB--------------------------------------------------- Título de especialista em Hanseníase pela Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH) e AMB ----------------------- http://lattes.cnpq.br/6342177221536986