Herpes labial e genital

A Herpes é uma doença comum, de origem viral, que muita gente já teve ou conhece alguém que tem. A maioria da população tem uma resistência natural ao vírus, o qual não gera lesão nessas pessoas.
Sol (calor), frio,mestruação,  imunidade baixa (de um simples estresse ou uma cirurgia) podem desencadear a doença nas pessoas com predisposição a ela.
A forma de transmissão é pela via contato oral (beijo, uso de copos) ou sexual (via canal de parto ou sexual). Quando tem lesão ativa a chance de transmitir é muito grande, e diminui conforme vai criando crosta (“casquinha”), mas as pessoas afetadas tem o vírus com potencial (muito baixo) de transmissão mesmo sem lesão ativa!!!
São dois tipos de vírus, tipo 1, mais relacionado a herpes na boca, e tipo 2, mais comum na área genital. Mas pode ser o contrário, a diferença principal é que o tipo 2 tem mais tendência a recorrência do que o tipo 1 na genitália, mas o tipo 1 recorre mais em todas outras topografias extra-genitais.
Dados revelam que:
10% da população já teve herpes orolabial
90% da população com mais de 30 anos tem sorologia positiva, destes:
           10-20% dos portadores do vírus se definam como os que tem herpes
            60% dos quadros são assintomáticos ou pouco sintomáticos, que nem sabem que tem herpes
9% de adultos assintomáticos têm o vírus tipo 1 na saliva
95% dos expostos pela primeira vez não tem sintomas suficientes para caracterizar herpes
50% dos casos de herpes neonatal  ocorrem em gestantes sem evidência clínica de herpes genital
70% é a taxa de mortalidade do herpes neonatal
Herpes labial- copyright 1996 - 2015 DermIS

Herpes labial- copyright 1996 – 2015 DermIS

Como sei que pode ser Herpes o que eu tenho??
Antes da lesão/bolhinha chegar, a área costuma ter alguns sintomas como ardor leve, dormência, coceira local, às vezes a pessoa sente “algo esquisito” quando passa o dedo no local. Isto porque o vírus tem um tropismo por queratinócitos (células da pele) e neurônios.  A lesão clássica são vesículas agrupadas, que na prática é um grupo de bolinhas com líquido dentro, geralmente sobre uma pele mais avermelhada.  Mas são vesículas/bolhinhas sensíveis, podem se romper facilmente, então pode só ter múltiplos  erosões/machucadinhos. Geralmente lábio, pele lateral dele e  genitália, mas pode ocorrer em qualquer parte do corpo.
Mesmo sem fazer nada elas vão melhorar sozinha, vão criando uma crosta/casquinha, e depois essa casquinha cai.
As vezes quando a infecção vem pela primeira vez ela pode levar a febre, linfonodomegalia (“inguas”) e mal estar. Crianças têm essa primo-infecção com mais frequência, mas geralmente é confundida como gripe e/ou aftas.
Pode ficar cicatriz?
Se for muito intensa sim, e os remédios atuariam diminuindo o tamanho da lesão e o tempo de duração dela. O antiviral mais conhecido e estudado é o Aciclovir(comprimido). Ele existe em pomada, mas ainda é questionável se o efeito em pomada é válido (estudos mostram que não tem benefício), ou só ajudaria a melhorar pela melhora hidratação que ela proporciona e/ou proteção  do meio externo formando uma película protetora local. Alguns estudos com penciclovir tem algum grau de evidência, mas geralmente não prescrevo.
Outras medicações orais são o valaciclovir e o fanciclovir.
E se eu tive uma vez, vou ter isso para sempre?
Você vai carregar o vírus para sempre, mas não necessariamente pode ter a lesão novamente. Isso é imprevisível. Porque o vírus fica armazenado no nervo, já que os neurônios não tem capacidade de se multiplicar, assim o DNA do vírus não precisa ficar se multiplicando, então ele fica ali quietinho ali, sem chamar atenção do sistema imunológico.
Mas, se por acaso, você tiver ocorrendo com uma recorrência grande as lesões, existem tratamentos para evitar, com o próprio aciclovir, mas também existem bons relatos com um aminoácido chamado Lisina. A quantidade e a frequência vão variar caso a caso, então confira com seu dermatologista qual seria a melhor opção para você.

Autor: Dra. Violeta Tortelly

Formação Medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)*****
Residência em Dermatologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)*****Mestranda na Universidade do Estado do Rio de Janeiro(UERJ)*****Professora no ambulatório de Alopecias na pós graduação de dermatologia do Hospital Naval Marcilio Dias*****Membro da equipe de parecer de dermatologia nos Hospitais Niterói D`or, Hospital Icaraí e Complexo Hospitalar de Niterói*****Preceptora/professora de Dermatologia no ambulatório do Hospital Universitário Pedro Ernesto de 2014-2016*****Fellow em Barcelona no Hospital Sant Creu e Sant Pau- 2013*****Membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Dermatologia Fluminense(SBD FL) gestão 2015-2016*****Título de especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e AMB*****
Título de especialista em Hanseníase pela Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH) e AMB*****

http://lattes.cnpq.br/6342177221536986